A Reforma Tributária promete carga total neutra, mas essa neutralidade é uma média da economia, não uma garantia para cada empresa. Há quem pague bem menos (graças às reduções) e quem possa pagar mais. Mostramos os dois lados com honestidade.
Conteúdo informativo, baseado na LC 214/2025. As alíquotas efetivas são estimativas sobre a referência de ~26,5% e dependem de regulamentação. O enquadramento exige análise individual.
Quem paga menos: as reduções por faixa
(Alíquota efetiva = sobre a referência de ~26,5%; valores definitivos dependem de regulamentação. As reduções de 30%, 40% e 60% se aplicam às empresas no regime regular, Lucro Presumido, Lucro Real e Simples "híbrido".)
- Alíquota zero, Cesta Básica Nacional, 32 produtos (26 no Anexo I + 6 no Anexo XV): arroz, feijão, leite, pão francês, carnes, hortícolas, frutas, ovos etc. → 0%
- Redução de 60%, saúde, medicamentos, educação, alimentos fora da cesta, higiene e limpeza de consumo popular, transporte público, insumos agropecuários, produções culturais e jornalísticas → ~10,6% (estimativa)
- Redução de 40%, hotelaria, bares e restaurantes, agências de turismo → ~15,9% (estimativa)
- Redução de 30%, profissões regulamentadas (lista taxativa, art. 127): advogados, contadores, engenheiros, arquitetos, administradores, economistas, biólogos, químicos, veterinários, entre outras → ~18,6% (estimativa)
Atenção (pegadinha comum): a redução de 30% NÃO inclui médicos. A saúde está na faixa de 60%. E a profissão por si só não garante o benefício, o serviço precisa ser típico da atividade regulamentada. Confirme caso a caso.
A cesta básica com alíquota zero
São 32 produtos na Cesta Básica Nacional (26 no Anexo I e 6 no Anexo XV da LC 214/2025), com alíquota zero de CBS e IBS.
O cashback para famílias de baixa renda
Devolução de parte do CBS/IBS para famílias inscritas no CadÚnico (exemplo típico: gás de cozinha). Detalhes operacionais ainda em regulamentação.
Quem pode pagar mais: o aviso honesto
A carga neutra vale para o país como um todo, não para cada setor. Empresas de serviços (TI, consultoria, software/SaaS, agências) hoje têm pouco crédito de ICMS a abater; com o novo modelo, baseado em crédito sobre compras, podem ter carga maior, mesmo com a redução de 30% quando aplicável. O motivo: quem quase não compra insumos tributados tem pouco crédito para usar (o principal custo de uma consultoria é a mão de obra, que não gera crédito).
Quem tende a ganhar
- Empresas que compram muitos insumos e serviços que geram crédito.
- Negócios que atuam em muitos estados (sem guerra fiscal, simplifica).
- Quem tem boa gestão para aproveitar todos os créditos.
- Setores com reduções (saúde, educação, alimentos, profissões regulamentadas).
E os impostos que não mudam
IRPJ e CSLL (sobre o lucro) e encargos trabalhistas (INSS, FGTS) não fazem parte da Reforma e seguem regras próprias.
CTA: Sua empresa vai pagar mais ou menos? Se você é intensivo em serviços, simular antes de 2027 é essencial. A RRT analisa o seu setor, regime e custos e mostra o impacto real.
Como descobrir o seu caso
O efeito da Reforma não é igual para todos, depende do seu setor, do seu regime e de quanto crédito você passa a aproveitar. Quem compra muito de fornecedores que destacam imposto tende a ganhar com o crédito amplo; quem é puro serviço, com poucas compras tributadas, pode sentir a alíquota cheia. A única resposta confiável vem de uma simulação com os seus números, e é exatamente isso que um contador faz antes de qualquer conclusão.
O efeito na cadeia inteira
Vale lembrar que o preço final que o consumidor vê é a soma do imposto de toda a cadeia. Com a não-cumulatividade plena, o imposto deixa de se acumular em cascata, o que, em tese, alivia o preço de produtos que hoje passam por muitas etapas. É por isso que itens muito industrializados podem ter mais espaço para baratear do que serviços prestados diretamente.
O que não muda no seu bolso
Por fim, lembre que a Reforma é do consumo: ela não mexe no Imposto de Renda, na contribuição previdenciária nem nos tributos sobre a folha. Quando alguém diz que "vai pagar mais imposto", quase sempre está falando da parte de consumo, e essa é a que se resolve com crédito e simulação, não com achismo.
Não existe "a Reforma é boa" ou "a Reforma é ruim" em geral. Existe o efeito dela na sua operação, e isso se mede, não se chuta.
Os setores com tratamento especial
Boa parte do "quem paga menos" vem dos regimes diferenciados: profissões regulamentadas, bares, restaurantes e turismo, saúde, educação, transporte público e produtos da cesta básica têm reduções ou alíquota zero. Cada um tem a sua regra e o seu percentual, por isso, se você atua em um desses setores, vale ler o artigo específico, onde detalhamos o enquadramento e o que muda na prática.
Na RRT, a análise parte sempre dos seus números reais, porque, quando o assunto é imposto, generalização não paga conta nem garante economia.